Arquivo para 'Opinião'

Maddie, a mina de ouro

13 de Abril de 2008

Robert Murat, um dos arguidos do famoso caso Maddie, vai processar onze jornais britânicos por alegada difamação. Para além dos jornais The Daily Express, The Sunday Express, The Daily Star, The Daily Mail, The Evening Standard, The Metro, The Daily Mirror, The Sunday Mirror, The News of the World, The Sun e The Scotsman, Murat vai ainda processar o canal televisivo britânico Sky News.
Ao que parece, este processo poderá render a Robert Murat perto de dois milhões e meio de euros. Pelo menos é essa a informação avançada pelo jornal O Público, que cita uma especialista em direito entrevistada pelo jornal The Observer.
Se esta especialista em direito estiver correcta, esta indemnização estabelecerá um novo record nos processos por difamação. O anterior pertence a um caso que ocorreu em 1989, cuja indemnização chegou aos 1.8 milhões de euros.

Longe de mim dizer que Robert Murat tem ou não razão nisto. Nunca li os artigos em causa e nunca vi nenhuma reportagem da Sky News sobre ele, por isso não sei se houve realmente difamação. Mas sei que a Maddie, que ninguém sabe onde está e se está viva ou morta, é uma mina de ouro para muita gente.
Quem escreveu livros sobre este caso já ganhou um bom dinheiro. Robert Murat, com ou sem razão, poderá receber uma quantia bastante avultada. Os pais da miúda, ao que parece, utilizaram parte do dinheiro do fundo criado para coisas que não a procura da filha.
Começo a achar que os intervenientes directos e indirectos deste caso deviam ser obrigados a ter uma licença para exploração mineira.

Em 2010, ou queres…. ou queres

8 de Abril de 2008

Na semana passada, a Microsoft anunciou que iria estender o período de suporte do Windows XP até 30 de Junho de 2010 ou até um ano após o lançamento da próxima versão do Windows, mas apenas para a Home Edition. Anteontem, o ainda presidente da Microsoft, Bill Gates, disse que o Windows 7 chegará já no próximo ano.
Isto, como é óbvio, não é à toa.

Sigam o meu raciocínio.

Primeiro, a Microsoft está a tentar ganhar mais dinheiro coma venda de licenças do Windows XP para os cada vez mais populares computadores económicos. Isso é mais que óbvio e não há mal nenhum com isso - a não ser que o software seja de qualidade duvidosa.
Segundo, Bill Gates tentou enviar uma mensagem positiva aos accionistas da Microsoft. Saber que o Windows 7 poderá chegar mais cedo é sempre algo bom de se ouvir quando se têm acções da empresa.

Mas há mais!

A escolha apenas da Home Edition do XP para os computadores económicos não foi feita por acaso. As empresas que utilizam o Windows XP, que não são nada poucas, têm a versão Pro e não a Home, que é mais popular junto do utilizador comum. A preferência das empresas pela versão Pro é óbvia.
Também não feito por acaso foram as declarações de Bill Gates. Vejam: ao dizer que o Windows 7 chegará no próximo ano, está a dizer às empresas que, quer queiram quer não, vão ter que actualizar a versão do Windows que utilizam. O tempo que lhes resta serve para se prepararem para o upgrade, porque isso ainda é um processo moroso, com testes, adaptações de aplicações, formação, etc.
Mas não é só o dar tempo, é também dizer a quem está reticente em relação ao Windows Vista que vai poder actualizar para o Windows 7. A Microsoft está também a dar alguma aparente tranquilidade e escolha às empresas.

A sua capacidade de desenvolvimento de software pode ser questionável, mas temos que admitir que, quando o assunto são práticas questionáveis e negócios, a Microsoft sabe o que faz.

Ou queres a bem, ou queres a mal…

22 de Março de 2008

Mesmo sabendo que corro o risco de ser catalogado como Apple Hater pelos fanboys desta empresa - até mesmo por aqueles fanboys que se dizem normais utilizadores -, tenho que dizer que, mais uma vez, a Apple está a mostrar que é a Microsoft 2.0.

Tal como a Microsoft fez o Internet Explorer passar como actualização prioritária no Windows Update quando o browser foi lançado, a Apple está a forçar o Safari aos utilizadores de Windows através do Apple Software Update.

Se isto fosse uma actualização que obriga à instalação de um novo software para poder funcionar, tudo bem. Mas este não é o caso. O Safari aparece no Apple Software Update já seleccionado, mesmo que o utilizador nunca tenha instalado o browser, e a sua instalação não é necessária para as restantes aplicações funcionarem normalmente.

Quando foi a Microsoft a fazer isto, foi comparado a spyware. Estou para ver se vão dizer o mesmo da Apple ou se vão, como sempre, arranjar mil e uma desculpas estúpidas para justificar o injustificável.

via Inforworld.com

O futuro do país? Não me parece.

21 de Março de 2008

violência
Fotografia original da autoria de Gonzale, disponibilizada sob a licença Creative Commons 2.0 by-nc

Tenho lido e ouvido muitas opiniões acerca do que se passou na escola Carolina Micaelis, no Porto, onde uma miúda discutiu com uma professora e a agrediu por causa do telemóvel (falo em agressão porque fiquei com a ideia de que houve realmente agressão quando vi o vídeo). Quase todas elas dizem que estas situações, cada vez mais frequentes, são graves e que estes miúdos são o futuro do país.
É verdade que a escalada de violência de alunos contra professores é alarmante e muitíssimo grave, mas não é assim tão verdade que estes putos são o futuro do país. Continuar a ler »

O Reality Distortion Field dos media

20 de Março de 2008

Hoje, li no i-gov.org que os « ciberpiratas são ameaça a pacemakers». Diz a notícia, cuja origem remete a um estudo publicado pela Universidade de Washington, que estes aparelhos, num futuro próximo, serão programáveis à distância e estarão sujeitos a potenciais ataques.

Contudo, um estudo da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, indica que estes aparelhos equipados com tecnologias sem fios são vulneráveis à pirataria informática, tendo consequências potencialmente fatais. Os investigadores demonstraram que os piratas informáticos podem, com a tecnologia sem fios, reprogramar à distância os implantes ou obter informações médicas confidenciais sobre os portadores, sem o conhecimento do doente.

Curiosamente, o estudo diz que isso poderá acontecer apenas se os pacemakers não forem criados com a segurança em mente, e aponta mesmo algumas soluções para este potenciais problemas.

We hope our research is a wake-up call for the industry […] Our goal is to make sure those devices are secure, private, safe and effective.

Esta paixão por chavões fáceis faz os media ligados à tecnologia distorcer um pouco as coisas e assustar as pessoas, quando não há razões para isso - nem para distorcer a notícia. Eles deviam saber mais e fazer melhor, caramba. Já não bastava alguns serem autênticas secções de marketing de algumas empresas…

O post dos porquês - porque a idade deles já lá vai

18 de Março de 2008

Raramente dou seguimento a um meme. A última vez que o fiz foi porque achei o assunto bastante interessante. Desta vez também o vou fazer, por achar o assunto - ou uma parte dele - interessante e por este me agradar.

A Cátia, do Cheirinho a Alfazema, “atirou-me” com duas questões: «Porque é que tens um blog?» e «Porque segues o blog que lançou o desafio?».

A resposta à primeira é simples: gosto de escrever, tenho muito tempo livre e gosto de partilhar conhecimento.
Como, de momento, a vida não me corre tão bem quanto desejaria, escrever é um excelente hobbie e uma forma de não stressar. Juntando isto ao facto de gostar de escrever, posso dizer que estou a juntar o útil ao agradável. E escrever também é (mais) uma forma de divagar e de passar a minha opinião - e eu adoro opinar.
Depois vem a parte da partilha de conhecimento. Conhecimento, já dizia a minha avó, é poder. E todos devem ter um pouco dele, para ninguém abusar. E também para não passarem a vida inteira estúpidos. Ah, e para passar a palavra do software livre, uma filosofia com que me identifico.

A resposta à segunda pergunta é mais difícil. Eu só recentemente descobri o blog da Cátia, por isso ainda não consegui criar uma opinião muito forte em relação a ele. No entanto, destaco a forma leve e descontraida com que ela escreve e expõe as suas opiniões.
Afinal não era assim tão difícil. :P

Agora deveria vir a parte em que convidaria alguém para dar seguimento ao meme. Mas não o vou fazer, porque parte deste meme “obriga” a umas palmadinhas nas costas e eu não quero isso, porque estou com dores de costas e umas palmadas agora não sabiam nada bem. Prefiro antes deixar ao critério de quem lê este blog dar o seguimento ou não ao meme - mas sem as palmadinhas nas costas; olhem as minhas dores.

E cortar as unhas não é perigoso?

16 de Março de 2008

Agora que por um piercing na língua vai ser proibido, será que cortar as unhas também vai ser? É que uma pessoa, ao tentar cortar a unha, pode cortar o dedo. Isso parece-me perigoso e, como tal, devia ser proibido. Lá diz o ditado: “Mais vale um olho vazado que um dedo cortado”.

Eu acho que este projecto tem algumas coisas parvas. Mas também lhe vejo vários pontos positivos, como a proibição de piercings de prata e revestidos a ouro, que são bastante perigosos para a saúde; ou a obrigatoriedade de utilizar dispositivos descartáveis para a aplicação de piercings.

Mas proibir os piercings na língua?! Os índios já o fazem à séculos e não morreram todos por causa disso. E nem uns asiáticos que andam a enfiar espadas de bochecha a bochecha, numa celebração qualquer deles.

Esta parece-me ser mais uma medida na linha daquela que visa “esterilizar” as raças potencialmente perigosas em Portugal, com o intuito de tentar cativar um pouco os portugueses, que estão muito desagradados com o actual executivo. As “medidas botox”, como lhes chamo.

Como o meu irmão disse, enquanto conversa com ele e com a minha mãe sobre este assunto: “Talvez o Governo se devesse preocupar mais com o actual código penal”.

Um ano, mais dia menos dia, de GNU/Linux

15 de Março de 2008

Faz mais ou menos um ano que me iniciei nestas coisas do GNU/Linux. A data precisa não sei; sei apenas que foi entre os finais de Fevereiro e meados de Março de 2007.
O facto de não saber a data tem uma explicação simples: eu tenho um problema do caraças em memorizar datas (aniversários incluídos). Acho que até era por isto que as minhas notas a História nunca eram grande coisa…

A minha primeira distribuição de GNU/Linux foi o Ubuntu. Esta escolha deveu-se, não ao facto de ser a distro da moda na altura, mas por ter uma comunidade grande, da qual faz parte uma excelente comunidade portuguesa.
Esta foi a grande razão para a ter escolhido, pois estava a iniciar-me nisto e precisava de um local onde encontrar ajuda sem ter que perder muito tempo com pesquisas.

Quando instalei o Ubuntu, fiquei com um dual-boot com Windows XP, porque não sabia se acabaria mesmo por ficar ou não com este sistema operativo novo para mim.
Na primeira semana de Ubuntu, andei a explorar o Gnome e a tentar conhecer os cantos à casa: instalei temas e ícones, alterei wallpapers, configurei algumas aplicações, travei amizade com o synaptic, vi algumas das ferramentas administrativas. Poucas foram as vezes - quatro, se tantas - que iniciei sessão em Windows.
Na segunda semana, voltei a explorar o sistema e fiz uma configuração mais abrangente dele. Li vários tutoriais e, com os conhecimentos da altura, adaptei o sistema às minhas necessidades e gosto. No final desta segunda semana de utilização, praticamente sem ter utilizado o XP, removi a partição com Windows, por não ver razões para manter um sistema mau quando já tinha um sistema operativo decente.

Eu sei que o Ubuntu está longe de ser perfeito. Mas o XP… Yuk! Durante os três/quatro meses que utilizei o Ubuntu, só fiz uma reinstalação - que nem foi bem reinstalação, já que foi apenas a instalação da nova versão da distribuição. Não notei degradação de performance, não tive os anti-tudo-e-mais-alguma-coisa a “comer-me” boa parte dos recursos do computador e não tive problemas ficheiros que, do nada, ficam corrompidos.
E depois há a questão do software. A grande maioria das aplicações que precisava - mais de 95% delas - estavam acessíveis via Synaptic. Não podia ser mais prático.

Hoje, sou um feliz utilizador do Debian GNU/Linux. Como o Ubuntu, está longe de ser perfeito, mas oferece-me a estabilidade e segurança que eu nunca tive com as várias versões de Windows que utilizei - e eu nem estou a utilizar a versão estável da distribuição, estou com a versão testing. Eu sei que isto soa a chavão, e é um chavão, mas também é verdade.

Uma pequena curiosidade sobre o Código Deontológico dos Jornalistas

14 de Março de 2008

Por mera curiosidades apenas, decidi fazer uma pesquisa sobre o Código Deontológico dos Jornalistas. O primeiro resultado que me apareceu foi uma página do jornal O Público com o código, onde se pode ler o seguinte, no ponto segundo:

O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais.

Tenho duas coisas a dizer sobre isto. A primeira é que a frase devia começar com um ó (O) e não com um zero (0) - aqui, está transcrita sem esse erro. A segunda é que parte daquele ponto, na minha opinião, parece ter caído no esquecimento de alguns jornalistas, porque cada vez mais se vêm e lêem notícias sensacionalistas.

Está aberta a caça às bruxas: o projecto Dogwitch

14 de Março de 2008

pitbull terrierO nosso actual Executivo abriu uma autêntica casa às bruxas às raças de cães consideradas perigosas ou potencialmente perigosas. A importação, reprodução, criação e comercialização destes cães será proibida por um despacho que ainda está em fase de apreciação.

As raças que o governo quer proibir são sete: Fila brasileiro, Dogue argentino, Pitbull Terrier, Rottweiller, Staffordshire Terrie americano, Staffordshire Bull Terrier e Tosa Inu.

A justificação do Ministro da Agricultura, Jaime Silva, prende-se com os vários ataques que cães das raças acima mencionadas têm vindo a protagonizar e com o incumprimento da actual lei por parte dos donos de cães destas raças.

Por muitas justificações que o Ministro da Agricultura dê, ninguém me tira da ideia que isto é uma medida do Governo “para a fotografia”, para tentar cair novamente nas graças dos portugueses. As recentes manifestações fizeram muita mossa e eles precisam de “lavar a cara”.

Eu não tenho nenhum cão de uma das sete raças que o Executivo quer proibir; eu nem sequer tenho cães, e, muito sinceramente, não tenciono ter um nos próximos tempos. Mas também não tenho nada contra estes cães.

Os cães são o que os donos fazem deles. E se os donos não cumprem a lei, talvez fosse altura de começar a fiscalizar isso. Ainda para mais, os cães não têm culpa que os portugueses estejam contra as medidas implementadas pelo governo de José Sócrates e se manifestem contra elas; como tal, não deviam pagar por isso, nem servir de bode expiatório.

via Sic.pt