A língua “portugrunhesa”

10 de Março de 2008

axas isto dar nas noticias para quê n xama atençao .nao da espetadoures .
agora dizer como foi quando encerrarao o btuga isso sim .e granda aprençao 3 sites encerados e forao apriendidos nao sei quantos compotadores topo de gama isto e que da noticia e triste mas e a verdade .

O último comentário feito no Webtuga, no artigo sobre uma universidade holandesa que está a utilizar o protocolo bittorrent para distribuir actualizações entre 6500 computadores, transcrito no início deste post, tem uma variante da língua portuguesa a que chamei carinhosamente de “portugrunhês”.

O “portugrunhês” é caracterizado por diversas formas de atentado à língua portuguesa, como o acrescentar ou remoção de letras às palavras, fusão de duas palavras diferentes numa só (por exemplo, oubisto, que é uma mistura de ouvido - de ouvir - e visto - de ver) e uso exagerado do x (característica importada do “pitês”).

Com uma escrita desta, não é de admirar quando se vê “portugrunhês” nos sites de algumas empresas, como recentemente se viu no site português da Apple; ou em ofícios, memorandos e outros documentos. Eu não me admiraria se, um dia destes, os documentos do Estado começassem a aparecer com “portugrunhês” lá pelo meio.

Eu não posso deixar de perguntar o que raio é que se anda a ensinar na disciplina de português. A sério, que raio é que está a ser leccionado? Isto é alguma vingança macabra dos professores, por causa da reforma que este governo quer fazer na educação? Ou os alunos andam é a ver demasiados Morangos com Açúcar?

Já de agora, se alguém me conseguir traduzir o comentário deste jovem (presumo que seja um jovem, por causa do “pitês” utilizado), eu agradeço. Gostava de lhe responder, mas sem saber o que ele escreveu, é-me difícil fazê-lo.

14 Comentários to “A língua “portugrunhesa””

  1. Rúben M.:

    Pessoalmente também não percebo como alguém é capaz de escrever dessa maneira, será culpa do ensino nas escolas primarias ?
    Ou será do ensino básico ?
    Muitos jovens andam a conseguir passar de ano, com um português intragável; aproveito este post e faço uma pergunta, já que não me recordo bem da resposta :P.

    É possível passar o ensino básico com negativa a português ?

  2. Shote:

    Tens toda a razão. Acabei mesmo agora de visitar esse artigo e deparei-me com essa linguagem. É muito triste, mas infelizmente vê-se cada vez mais. Há sítios na internet (foruns, blogs…) que são mesmo de evitar, tal é o estado avançado da praga. Sinceramente, eu acho que nem de propósito conseguia dar tantos erros. É de louvar :) Eu tinha vergonha de não saber escrever na minha língua.

  3. Bruno Miguel:

    @Rúben
    Não tenho grandes certezas, mas arrisco a dizer que sim, os alunos do ensino primário podem passar com nega a português.

    @Shote
    Pois há. Eu conheço uns quantos sites onde a linguagem é tão má que parece uma língua estrangeira qualquer, daquelas de que eu nunca ouvi falar. xD

  4. Conversas do Bruno » Blog Archive » O alfabeto macabro e o alfabeto geek:

    […] A língua “portugrunhesa” […]

  5. Manifest0:

    No meu tempo, podia-se passar com nega a uma disciplina “base” (português ou matemática)
    Português e matemática já não dava.

  6. Leonardo:

    Eis um link sobre “o futuro da língua portuguesa”:

    http://indispensaveis.blogspot.com/2006/01/o-futuro-da-lingua-portuguesa.html

    Sad but true.

  7. LSantos:

    Os alunos do ensino primário passam sempre. A partir do secundário o que o Manifest0 diz confirma-se: português OU matemática, mas as duas não. O meu sobrinho está pra chumbar de ano, com nega às duas.
    E acho muito bem…..

    Não sei se no ensino público também era assim, mas na minha altura (já lá vão 15 anos), no privado, se tivesse negativa à disciplina “Língua Portuguesa” chumbava automaticamente de ano, mesmo que nas outras fosse uma aluna brilhante; a matemática idem. Ou seja, bastava a uma dessas duas. O programa era muito mais exigente que o programa corrente e chegar ao 7º ano e escrever da forma como o meu sobrinho escreve era inconcebível.
    Mesmo na primária, chegar à 4ª classe com erros ortográficos também não era permitido, e na minha escola chumbava-se na primária.

    Por cá puxa-se muito mais pelos miúdos. Aos 4 anos têm o seu primeiro exame nacional, adequado à idade, é certo, mas serve para avaliar o seu conhecimento da língua alemã. Há chumbos que têm como consequência a permanência de um ano adicional no *infantário* para que não sigam para a primária sem o mínimo de capacidade de expressão. Obviamente não terão capacidades para ler e escrever literatura mas erros ou grunhês como ali o transcrito não são admitidos.
    No fim do primeiro ciclo (primária) tem novo estágio de avaliação. As possibilidades de futuro académico são decididas com base no desempenho escolar dos 4 anos do 1º ciclo.

    Outra coisa “gira” é a actuação da escola, pais e professores. Um pai ou uma mãe pode optar por pedir para o filho chumbar de ano se não estiver minimamente preparado para enfrentar o ano seguinte, mas isto acontece porque há uma responsabilização quer dos pais quer da escola pelo mesmo desempenho. Não há cá trabalhos de casa por fazer sem penalização, não há faltas sem penalização grave. Na falta de trabalhos de casa, os pais são informados com carta registada que o/a filho/a no dia tal não fez os “tpc” e no dia xpto irá ficar na escola mais uma ou duas horas, consoante o castigo, não para fazer os tpc em falta mas sim para ter uma ou duas aulas extra de uma disciplina à escolha da escola (normalmente matemática). As faltas são registadas e informadas da mesma forma. A maioria das escolas estatais tem um sistema online de contacto com os pais em que a qualquer altura o pai ou mãe pode consultar o desempenho do filho, as dificuldades, etc até que livros tem para ler ou que tpcs tem para fazer.
    Outra “gira” é que no ensino público, se um pai quiser tirar um filho da escola durante o tempo de aulas, tem que ser por uma emergência e com autorização do director da escola. Se por exemplo for para ir de férias e o nº de dias que o filho terá de faltar for superior a 6 dias , terão de pagar 400 euros (quatrocentos euros) por cada dia que o/a filho/a faltar à escola.

    O cenário actual dos nossos jovenzinhos não é só resultado de serem calões (porque o são), nem modas, é resultado de uma falta de responsabilização que deveria ser imposta, não só à escola mas também aos pais, e que continua a ser opcional e adaptada à conveniência de horários dos pais.

    A desculpa que os miúdos hoje em dia crescem muito sozinhos à conta dos horários e vida stressante dos pais, não é verdade.
    Durante a minha vida escolar passei a maior parte do tempo sozinha e nunca precisei que os meus pais estivessem em cima de mim para estudar e fazer os trabalhos, nem mesmo na primária. No entanto, eles eram chamados à responsabilidade todos os meses , quer quando fazia asneira quer quando tinha sucesso no meu desempenho escolar e comportamental. Mesmo durante o 3º ciclo, em que os horários são muito mais propícios a asneiras, sempre cumpri com as minhas responsabilidades e nem por isso deixei de fazer as asneiras habituais da idade. Nunca chumbei de ano, até ao fim da Uni.

    Já o meu sobrinho…Durante a primária, quer na escola quer em casa, nunca foi directamente incutida ao meu sobrinho a necessidade de pensar “out of the box” nem ter a iniciativa de pegar nos livros depois da escola para além das “duas fichas” de trabalhos de casa. Agora arrasta-se no 7º ano.
    Sim, é compreensível que chegando a casa às 8 ou às 9 da noite e saíndo de casa às 7 da manhã seja complicado, mas filhos é um “hobby” para a vida inteira e se não há tempo para acompanhar directamente, há que lhes (aos filhos) pedir responsabilidade do que é afinal o trabalho deles até ao fim da escolaridade obrigatória. Ao invés disso, a calonice é ignorada e muitas vezes até desculpada. E fins-de-semana são para os paizinhos descansarem e obviamente que é pedir demais perderem uma hora de sábado e outra no domingo para verem como os filhos andam na escola.

    (sim sim, eu sei que dou erros de português; mas até ao fim da Universidade nunca dei. Depois meteu-se o trabalho e o catalão, espanhol, inglês e o alemão.)

    sorry pelo long comment mas este tema irrita-me.

  8. LSantos:

    basta dar um saltinho aqui
    http://www.saladosprofessores.com/index.php?option=com_smf&Itemid=62&topic=12466.0

    e ver o estado da nação.
    Máquina de calcular no 1º ciclo ????? Curiosamente nem a professora consegue preparar uma explicação.
    E não é um caso pontual. Novamente o meu sobrinho: máquina de calcular na 3ª classe. Quando vi na lista de material a comprar ainda pensei que fosse mania dele. “Estupidificou-o”. Ele que sabia fazer contas de cabeça com nºs com 4 algarismos em qualquer das 4 operações, agora não compreende sequer uma equação de 1º grau.

    bah!

  9. Bruno Miguel:

    @Leonardo
    Cheguei a uma altura que tive que parar de ler, por não conseguir ler o que lá estava escrito. :|

  10. Bruno Miguel:

    @Lígia
    Concordo com a realização de exames, mas como forma de averiguação de conhecimentos dos miúdos e sem muito impacto na nota. Por vezes, basta um puto ser hiperactivo para ter dificuldades em conseguir fazer alguma coisa no exame; e isso não quer dizer que ele é menos ou mais inteligente; ou mesmo até a família do miúdo estar a passar um mau bocado e isso reflectir-se nele.

    Aí, na Alemanha, os pais parecem acompanhar o desempenho dos filhos na escola. Mas cá não vejo isso. O máximo que vejo é os pais levarem os catraios à escola. Poucos são aqueles que se dão ao trabalho de saber como se portam os filhos e como estão as notas.

    O cenário actual dos nossos jovenzinhos não é só resultado de serem calões (porque o são), nem modas, é resultado de uma falta de responsabilização que deveria ser imposta, não só à escola mas também aos pais, e que continua a ser opcional e adaptada à conveniência de horários dos pais.

    Subscrevo!

    Não te preocupes com o tamanho do comentário. Acrescentaste pontos muito importantes ao tema.

  11. LSantos:

    ou mesmo até a família do miúdo estar a passar um mau bocado e isso reflectir-se nele.

    Compreendo e aceito que assim seja em casos pontuais mas não como desculpa constante, aliás como esse motivo é utilizado. Eu tive tudo menos uma infância/adolescência tranquila no que concerne questões familiares, no entanto não se reflectiu na minha educação, bem pelo contrário os meus pais, apesar de todos os problemas graves, sempre fizeram questão que a educação estava primeiro e acima desses problemas. É natural que haja sempre alguma coisa, a história de ser “o reflexo do que se tem em casa” não é apenas um cliché, mas cabe aos pais e educadores interessarem-me o suficiente para minimizar isso.

    Hiperactividade também não é desculpa, e aqui entra a responsabilidade dos professores que deverão estar preparados para lidar com este tipo de comportamento. Tive uma colega na primária a quem apelidávamos de Marta “Martírio”. Tudo o que se possa imaginar, ela fez antes, durante e depois das aulas. No entanto, a nossa professora tinha uma capacidade para saber lidar com crianças difíceis e a Marta não foi uma das colegas que chumbou na primária.

    O que me leva obviamente ao ponto vocacional. Quantos professores hoje em dia são-no por vocação ? Um saltinho ao forum do link ali em cima e chega-se à conclusão que a maioria não o é.

    Aí, na Alemanha, os pais parecem acompanhar o desempenho dos filhos na escola

    Acompanham porque tal lhes é imposto e porque lhes sai do bolso e não só pelos impostos que pagam.
    Esqueci-me de acrescentar que, para além dos castigos aplicados aos alunos, muitas vezes há castigos monetários, que seja pelo pagamento de uma multa quer seja por, por exemplo, obrigar os pais a irem buscar o filho à escola e para isso terem de faltar ao trabalho.
    Quando as brincadeiras e calonice dos filhos começam a sair do bolso dos pais, perde a piada.
    De resto acredita que em termos de interesse, serão poucos os pais aqui que realmente se preocupem. Tal como disse, para ter resultados práticos, a responsabilidade dos educadores tem de ser imposta, não opcional.

  12. Bruno Miguel:

    Os professores não estão preparados para lidar com este tipo de situações porque não têm essa preparação durante os seus estudos e também porque são o fruto de um sistema de ensino com muitos problemas.

    A hiperactividade e os problemas familiares não são para servir de desculpa, mas são coisas que acontecem com uma maior frequência. Só as mencionei porque acho que são mais que suficientes para diminuir o peso grande que os exames têm.
    Um ano não pode ser avaliado com base em apenas um exame. Existe todo um trabalho do aluno durante o ano lectivo e que não é tão levado em conta como devia por causa dos exames.

  13. LSantos:

    Os professores não estão preparados para lidar com este tipo de situações porque não têm essa preparação durante os seus estudos e também porque são o fruto de um sistema de ensino com muitos problemas.

    então estamos com uma pescadinha de rabo na boca… há que começar por algum lado. Não me parece é que se esteja a começar pelo lado certo, nomeadamente a colocar estagiários com canudos acabadinhos de sair do forno sozinhos com uma turma à frente como acontece.
    Como é óbvio, estes não têm qualquer preparação pedagócica prática para lidar com essas situações, logo não deveriam estar sozinhos à frente de uma turma.

    A única situação que infelizmente não são preparados e deveriam é a situação de violência nas aulas. Já a componente pedagógica, desde quando deixou de fazer parte dos curriculos da vertente de ensino ? Não há preparação pedagogico-social em cursos gerais que tem x-saídas e o portador de canudo tem sempre a hipotese de ir dar umas aulas porque não encontra trabalho nas outras saídas. Este é o rabo da pescada por onde deveriam pegar primeiro.
    O meu curso (matemáticas aplicadas) no 3º ano dividiu-se em 2 ramos, um deles era a vertente de ensino e tinham preparação precisamente para este tipo de situações entre outras, incluindo ensino a deficientes, dislexia, and so on, não “só” saber re-transmitir a matéria

    O sistema aqui não é perfeito, mas um aspirante a professor, mesmo com o canudo na mão, tem pela frente um ano de estágio em que dá aulas sim, mas aulas partilhadas com um professor efectivo e experiente, e é avaliado por isso. Isto em qualquer nível de ensino, inclusivé no ensino para adultos. Tive 3 professoras estagiárias no Alemão, em hipótese alguma elas deram a aula sozinhas e sem preparação prévia.

    Um ano não pode ser avaliado com base em apenas um exame.

    Concordo, para isso existia a chamada avaliação qualitativa que os próprios professores e pais criticaram há uns anos atrás.
    Por sinal, aqui as chamadas “kopf-noten ” vão ser re-inseridas precisamente pela justificação que apresentaste quanto à injustiça da avaliação quantitativa. Vai ser re-inserida porque os pais e alunos protestaram a injustiça desse sistema baseado em notas de exames; mal saiu a notícia que estava em discussão essa medida, começaram os protestos dos alunos que eram “adultos demais” para estarem a ser avaliados por factores como “assiduidade, compreensão da matéria dada, trabalhos de casa e projectos entregues a tempo e horas, ect etc”. Estamos a falar de alunos do secundário.

    O que acho é que se anda há anos a nadar à deriva no problema de ensino ao invés de tratar de arranjar um GPS :-)
    Não só em Portugal claro. Veja-se o caso do ensino em Inglaterra que até aos 15 anos ninguém chumba e aos 16/18 apanham com os A-levels pela frente e por incrível que pareça há quem chegue a este patamar sem saber ler ou escrever ou que muitos chegem aos 11 anos e não saibam ler. Ah e a taxa de desistência está de tal forma que foi passado há dias um decreto com o objectivo de eliminar os A-levels.

  14. Bruno Miguel:

    A assiduidade, participação, etc, deve sempre fazer parte da avaliação do aluno. Eles também têm que ser julgados por isso. Quando forem para o mercado de trabalho, a assiduidade vai ser uma forma constante de avaliação; e na escola também o deve ser.

    O que acho é que se anda há anos a nadar à deriva no problema de ensino ao invés de tratar de arranjar um GPS :-)

    Não é só na educação, com muita pena minha. E as soluções apresentadas pelos diversos governos, que são sempre “a solução” para o problema, só dão bosta. As coisas não se vão resolver à pressa, muito menos com medidas pensadas e aplicadas “em cima do joelho”.
    Muito sinceramente, penso que nos falta inteligência em boa parte da classe política para resolver os vários problemas, seja de saúde, educação ou económicos.

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