O nosso actual Executivo abriu uma autêntica casa às bruxas às raças de cães consideradas perigosas ou potencialmente perigosas. A importação, reprodução, criação e comercialização destes cães será proibida por um despacho que ainda está em fase de apreciação.
As raças que o governo quer proibir são sete: Fila brasileiro, Dogue argentino, Pitbull Terrier, Rottweiller, Staffordshire Terrie americano, Staffordshire Bull Terrier e Tosa Inu.
A justificação do Ministro da Agricultura, Jaime Silva, prende-se com os vários ataques que cães das raças acima mencionadas têm vindo a protagonizar e com o incumprimento da actual lei por parte dos donos de cães destas raças.
Por muitas justificações que o Ministro da Agricultura dê, ninguém me tira da ideia que isto é uma medida do Governo “para a fotografia”, para tentar cair novamente nas graças dos portugueses. As recentes manifestações fizeram muita mossa e eles precisam de “lavar a cara”.
Eu não tenho nenhum cão de uma das sete raças que o Executivo quer proibir; eu nem sequer tenho cães, e, muito sinceramente, não tenciono ter um nos próximos tempos. Mas também não tenho nada contra estes cães.
Os cães são o que os donos fazem deles. E se os donos não cumprem a lei, talvez fosse altura de começar a fiscalizar isso. Ainda para mais, os cães não têm culpa que os portugueses estejam contra as medidas implementadas pelo governo de José Sócrates e se manifestem contra elas; como tal, não deviam pagar por isso, nem servir de bode expiatório.
via Sic.pt


Também sou da opinião que os cães (ainda que a raça tendo um historial de maior agressividade), são o que os donos fazem deles.
Não possuo nenhum cão dessas raças, mas tenho familiar que tem um rottweiller e o cão ainda que tendo aquele físico imponente, é extremamente meigo e o dono não lhe permite sequer qualquer manifestação de ser agressivo. O animal tem seguro, chip, quando sai na rua leva açaime,… tudo como manda a lei. Ou seja, passa muito pelo dono como o Bruno escreveu.
Acredito que deva haver fiscalização por parte das autoridades, mas para saber se os donos têm perfil para ter um animal desse porte/historial.
Dou um exemplo que aconteceu bem perto do meu local de trabalho: um indivíduo ao se dirigir com um cão (que sinceramente nem conheço a raça), sem trela, sem açaime, atacou violentamente o cão de uma senhora que estaria a sair de sua casa para passear o animal.
O animal atacado, vinha na trela, com a senhora, e o outro mesmo depois de o “atacar” o dono nem pediu desculpa, nem sequer tendo intervido, indo-se embora como se nada fosse…
Realmente quem deve ser fiscalizado e regularizado é mesmo o dono, e não o animal.
Concordo que deviam ser feitas avaliações psicológicas a quem quer ter ou tem um destes cães. E estas avaliações deviam ser feitas periodicamente, tipo de dois em dois anos ou assim.
Mas esta medida demasiado extremista do Governo faz-me desconfiar das “boas intenções” que ela tem, como referi no texto.
Não conheço a lei, mas penso que há um aspecto que não pode ser ignorado. Os cães são o que os donos fazem deles, mas são também o que os antigos criadores, geração após geração, fizeram da raça. Aqui, há dois pontos a considerar:
1. O porte do cão. Qualquer cão, como qualquer pessoa, pode ter um momento mau e passar-se, atacando uma pessoa ou outro animal. No entanto, os danos e o perigo serão consideravelmente diferentes se o cão for um Chihuahua ou um Rotweiller. No caso do primeiro, pode ser muito chato, mas não há real perigo para a integridade de qualquer pessoa. No caso do segundo, como demonstram os casos recentes, o perigo de vida é bem real.
2. O historial da raça. Ao longo das gerações, por intermédio de selecção rigorosa dos seus donos e criadores, quer consciente quer inconscientemente, foram criadas várias raças com diversos tipos de comportamento, conforme as necessidades exigidas ao cão. Assim, temos os cães de caça, os cães pastores, os recoletores, etc. É claro que, com treino, qualquer cão pode, em princípio, desempenhar qualquer uma dessas tarefas, mas qualquer conhecedor vos dirá que há raças bem mais predispostas para uns trabalhos do que para outros. O problema, neste caso, são os chamados cães de fila, criados especificamente para a defesa de pessoas e propriedades e para a luta. São cães especialmente agressivos, protectores da sua família, propriedade ou espaço que, muitas vezes por motivos que nos escapam, podem tornar-se perigosos.
Resumindo, apesar de concordar em princípio que é aos donos que cabe a maior, se não toda, a responsabilidade dos recentes ataques a pessoas e que, portanto, não raças perigosas, também tenho que reconhecer que há raças potencialmente mais perigosas que outras. Suponho que são essas que o governo quer banir (e, segundo percebi, sem matar nenhum cão — apenas esterilizando os exemplares já existentes e proibindo a importação de mais).
Sim, os cães também têm uma componente genética que os faz o que são. Por isso é que são sujeitos a um treino de obediência.
E os donos deviam ser obrigados a fazer exames psicológicos para ter um destes cães e ao longo do tempo em que têm o cão, e a ter um local seguro para o cão e para as outras pessoas.
Mas este executivo prefere fazer uma caça às bruxas, para tentar cair nas boas graças da opinião pública, para tentar apagar um pouco da má imagem deixada pelos protestos e pelas reformas da saúde e educação.